Espera
UFPel aguarda a nomeação do novo reitor
Eleito pela comunidade acadêmica, Paulo Ferreira espera ser referendado por Bolsonaro
Carlos Queiroz -
A uma semana do fim da atual gestão, o próximo reitor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) ainda não foi nomeado pelo presidente da República. A instituição escolheu o professor Paulo Ferreira, em outubro de 2020, mas é preciso que o Governo Federal confirme a nomeação até o dia 6 de janeiro, quando o mandato de Pedro Hallal chega ao fim.
Ferreira, representante da atual gestão da universidade, foi eleito reitor em 16 de outubro deste ano ao vencer o segundo turno contra o professor Fábio Cerqueira. A chapa se tornou vencedora ao ter mais votos em duas das categorias: estudantes e professores. O novo mandatário é professor do Centro de Desenvolvimento Tecnológico (CDTec), formado pela própria UFPel e com trajetória iniciada na instituição em 2009. A vice-reitora, Úrsula da Silva, é professora de Estética e Cultura Visual e atualmente dirige o Centro de Artes.
Quatro dias depois da eleição, a chapa foi aprovada também no Conselho Universitário, onde se montou a lista tríplice enviada ao Governo Federal com três pessoas escolhidas para que fosse definida uma para assumir a reitoria no dia 7 de janeiro - um dia após, legalmente, o mandato do atual reitor chegar ao fim.
O decreto que nomeou Pedro Hallal, em 2016, foi publicado em 22 de dezembro - o que, por si só, já representa certo atraso de Brasília em conceder a reitoria à nova gestão. Entretanto, ao Diário Popular, Paulo Ferreira se mostrou confiante de que tudo estará resolvido antes do dia 7. “Na semana passada o Gabinete do Reitor fez contato com o MEC para saber do andamento do processo e foi informado que o processo estava com o secretário executivo do Ministério e que a nomeação deverá ocorrer em tempo hábil, conforme nossa expectativa”, relatou.
Esse tempo hábil, diga-se, é importante para que o processo de transição ocorra com mais tranquilidade - ainda que ele já seja considerado tranquilo, por não haver mudança de grupo político. “Seguimos trabalhando normalmente na transição desde que fomos eleitos, discutindo e tomando decisões conjuntamente. Também estamos compondo as equipes e organizando eventuais mudanças na estrutura da gestão. Estaremos prontos para dar início na nossa gestão em janeiro”, salienta Ferreira. “Alguém terá que ser nomeado até, no máximo, dia 6 pra tomar posse dia 7 e começar a gerir a Universidade a partir disso. Estamos aguardando que minha nomeação saia ainda esse ano.”
Caso diferente
Em setembro, um caso próximo a Pelotas preocupou toda a comunidade acadêmica brasileira. Carlos André Bulhões Mendes foi nomeado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) como o novo reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), mesmo sendo o menos votado na eleição para a gestão 2020/2024 e também na votação interna do Conselho Universitário.
Na atual legislação, o presidente da República é o responsável pela nomeação, através de lista tríplice montada a partir do pleito. Na prática, o resultado da consulta pública tem menos poder que o chefe do Executivo: a comunidade acadêmica vota, os três mais votados formam a lista e o presidente tem liberdade para escolher qualquer um dos três.
Na UFPel, porém, uma espécie de pacto preserva a universidade de qualquer maior surpresa. Os concorrentes da consulta pública assumem o compromisso de que a lista tríplice, seja qual for o resultado, é formada apenas por membros da chapa vencedora. No caso da próxima gestão, ela está composta pelo próprio Paulo Ferreira, além dos professores Isabela Fernandes Andrade e Eraldo dos Santos Pinheiro. “Nossa lista é composta pelo mesmo grupo político. Inclusive, Eraldo e Isabela serão pró-reitores da nova gestão. Então, entendemos que não existe motivo para que o reitor eleito não seja nomeado”, acrescenta Ferreira.
A linha do tempo da troca de gestão na UFPel
16 de outubro - Paulo Ferreira é eleito no pleito entre estudantes, professores e servidores
19 de outubro - O Conselho Universitário (Consun) referenda a escolha e forma a lista tríplice, com três membros do mesmo grupo político
6 de janeiro 2021 - Encerra-se o mandato do atual reitor, Pedro Hallal
7 de janeiro 2021 - A nova gestão começará a atuar na universidade (a nomeação, de quem for, precisa ocorrer antes dessa data)
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